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Fui dispensado sendo PJ: o que fazer agora

O que reunir nos primeiros dias depois de perder um contrato PJ, quais provas importam, os dois prazos que correm contra você e o que decidir antes de procurar um advogado.

Perder um contrato PJ costuma acontecer do jeito mais seco possível: uma mensagem, um aviso de 15 dias e a última nota. Sem papel, sem homologação, sem nada para assinar. Essa ausência de formalidade é justamente o que faz muita gente achar que não há o que discutir — e é o momento em que mais se perde prova.

As primeiras semanas valem mais que o resto do processo, por uma razão prática: enquanto você ainda tem acesso ao e-mail, ao grupo do time e ao histórico de conversas, dá para guardar. Depois que o acesso é cortado, não dá.

Reúna agora, antes de decidir qualquer coisa

  • O contrato de prestação de serviço e todos os aditivos.
  • Todas as notas emitidas para a empresa, na ordem, com as datas — elas mostram continuidade e valor.
  • Comprovantes de pagamento, que mostram regularidade.
  • Conversas — WhatsApp, e-mail, chat interno. Especialmente as que mostram ordem, cobrança de horário, aprovação de ausência ou de "férias".
  • Convites de reunião recorrentes e escalas, se houver.
  • Crachá, e-mail corporativo, assinatura de e-mail com o nome da empresa, foto no site como parte do time.
  • A mensagem da dispensa, com data.
Exporte a conversa do WhatsApp antes de trocar de celular ou de sair do grupo. É a prova que mais aparece nesse tipo de discussão e a que mais se perde por descuido.

O que essas provas mostram

O que se discute não é o nome do contrato, e sim como a relação funcionava no dia a dia. Os elementos que o artigo 3º da CLT usa para definir emprego são quatro: pessoalidade (só você podia fazer, sem mandar outro no seu lugar), habitualidade (contínuo, não eventual), onerosidade (pagamento regular) e subordinação (alguém dizia o que, quando e como).

Subordinação é o que mais pesa e o mais discutido. Horário cobrado, gestor aprovando ausência, metas impostas, ferramenta e método definidos pela empresa — cada um desses é um indício.

Vale conhecer o outro lado: o artigo 442-B da CLT diz que a contratação de autônomo, cumpridas as formalidades, não gera vínculo. Contratar PJ não é irregular por si só. A discussão existe quando a autonomia era só o papel.

Os dois prazos que correm contra você

São dois, e confundi-los custa dinheiro:

  • 2 anos a partir do fim do contrato para propor a ação. Passou, acabou.
  • 5 anos para trás, contados da data da ação, como limite do período discutido (art. 7º, XXIX).

O segundo é o que quase ninguém conhece, e é o que evapora em silêncio: cada mês de espera empurra a janela e apaga um mês do começo do período.

Antes de procurar um advogado, decida duas coisas

Primeiro, se você quer mesmo. Em setores pequenos, onde as pessoas se conhecem, processar a ex-empresa tem um custo que não aparece em cálculo nenhum. É uma escolha legítima nos dois sentidos, e ninguém pode tomá-la por você.

Segundo, qual é a ordem de grandeza do que está em discussão. Uma relação de oito meses e uma de quatro anos produzem contas muito diferentes, e isso muda se vale o desgaste. A página sobre como o valor é calculado explica o que entra na conta.

Situação no STF — atualizado em 27/07/2026. O Supremo reconheceu repercussão geral sobre a licitude da contratação de PJ em abril de 2025 (Tema 1389) e suspendeu em todo o país os processos que discutem o assunto. O julgamento está parado desde dezembro de 2025 por pedido de vista da ministra Cármen Lúcia. Em fevereiro de 2026, a AGU se manifestou a favor da constitucionalidade da contratação PJ. Enquanto não há decisão, o critério que os tribunais aplicam é o do artigo 3º da CLT — e ele pode mudar.

O limite desta página

Aqui não se avalia se o seu caso tem vínculo — isso é análise jurídica e cabe a advogado trabalhista, com o contrato e as provas na mão. O que este site faz é explicar como as contas desse tipo de caso são montadas, que é trabalho de perícia. Chegue na conversa com os documentos organizados e com as perguntas prontas; a diferença de qualidade dessa conversa é grande.

Perguntas frequentes
Não assinei nada na saída. Isso me prejudica?

Não. Contrato de prestação de serviço não gera termo de rescisão nem homologação. O que importa é a prova de como a relação funcionava, e ela está nas notas, nas conversas e no contrato.

Qual é a prova mais importante?

A que mostra subordinação: alguém definindo horário, aprovando ausência, cobrando meta ou determinando como o trabalho era feito. Conversas de WhatsApp e e-mail costumam ser onde isso aparece.

Tenho quanto tempo para decidir?

Dois anos a partir do fim do contrato para propor a ação. Mas o período discutido fica limitado aos 5 anos anteriores à propositura, então esperar reduz o que se discute.

Ser PJ era condição para me contratarem. Isso ajuda no caso?

É um elemento do contexto, e aparece com frequência nesse tipo de discussão. Se é suficiente depende de tudo o mais que a relação mostrava no dia a dia — quem avalia isso é advogado.

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Atualizado em 27/07/2026 · Conteúdo informativo — convenção coletiva e particularidades do contrato podem alterar valores.